Um programa antivírus instalado em um equipamento hospitalar interferiu com um procedimento cardíaco em um paciente nos Estados Unidos. O incidente, ocorrido em fevereiro, foi publicado em um alerta emitido pela Food and Drug Administration (FDA), uma agência do governo americano semelhante à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O alerta tem por objetivo evitar que o problema aconteça novamente.

Segundo o relato da FDA, baseado nas informações fornecidas pelo hospital, o equipamento Merge Hemo parou de responder durante o procedimento. As informações do paciente que deviam ser mostradas na tela para auxiliar os médicos deixaram de aparecer e o equipamento teve de ser reiniciado, levando cinco minutos para voltar a funcionar.

Segundo o fabricante do equipamento, o travamento foi causado por um antivírus desconfigurado. O programa é embutido por questão de segurança e, de acordo com a explicação, cada hospital deve configurar o programa para que ele não atue de maneira invasiva, nem cause erros de funcionamento durante procedimentos.

"Nossa experiência tem mostrado que a configuração imprópria do antivírus pode ter efeitos adversos, incluindo 'downtime' [inoperância] e desempenho clinicamente inutilizável", diz o comunicado do fabricante, que afasta a possibilidade de defeito ou mal funcionamento.

A coluna Segurança Digital procurou a fabricante Merge, que pertence à IBM, para comentar o assunto. A empresa disse que o equipamento não é comercializado em nenhum país da América Latina.
Segundo o especialista Billy Rios ouvido pelo site de tecnologia "Ars Technica", equipamentos médicos americanos normalmente incluem um programa antivírus para atender a regulamentações de segurança. No entanto, a proteção oferecida é normalmente inócua, porque o programa não tem autorização para baixar atualizações e assim detectar códigos maliciosos recentes.
A coluna Segurança Digital perguntou à Merge se o equipamento em questão poderia baixar atualizações, mas a pergunta não foi respondida. A empresa acrescentou que "todas as informações disponívels foram encaminhadas à FDA nos Estados Unidos".

 



Wednesday, May 18, 2016







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