Nesta terça-feira (27), o Mercado Livre lançou a campanha #FreteAbusivoNão, denunciando um “aumento abusivo” de até 51% no valor do frete praticado pelos Correios, sem citar detalhes de como a cobrança será praticada. Segundo a ofensiva do marketplace, a prática vai impactar o caixa dos pequenos e médios lojistas que praticam frete grátis e entregam usando a estatal – nas contas do ML, crescimento de 29% no custo, em média.

“Ao escolher repassar os custos da sua ineficiência operacional, os Correios – líder na entrega de encomendas no e-commerce – figuram como principal responsável por prejudicar significativamente a evolução do segmento”, acusou em comunicado.

A campanha alcançou os trending topics do Twitter e gerou indignação tanto em lojistas quanto consumidores.

Os Correios, por outro lado enviaram nota à imprensa e se defenderam afirmando que o impacto é bem menor do que o divulgado. “Cabe ressaltar que o reajuste não é para os preços de e-commerce, mas para os serviços de encomendas dos Correios, também utilizados pelo e-commerce. Trata-se de uma revisão anual, a exemplo do previsto em contrato. A definição dos preços é sempre baseada no aumento dos custos relacionados à prestação dos serviços, que considera gastos com transporte, pagamento de pessoal, aluguéis de imóveis, combustível, contratação de recursos para segurança, entre outros”, afirmou a estatal no texto.

O E-Commerce Brasil responde as principais dúvidas dos lojistas quanto às novas políticas:

Correios vão aumentar em até 51% o frete? A campanha do Mercado Livre fala em aumento “de até” 51%, o que não está errado porque, em algumas rotas – especialmente aquelas fora dos grandes centros -, a diferença realmente chega a essa cifra. Não se sabe quantos lojistas serão impactados por cada reajuste, mas os principais centros – São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais – costumam ser os mais baratos.

De acordo com os Correios, o aumento médio será de 8% para “os objetos postados entre capitais e nos âmbitos local e estadual”, mas a estatal ainda não divulgou a nova tabela. Porém, essa não é uma atitude inédita da empresa: em 2017, houve casos em que o aumento beirou os 83%.

Custo do frete grátis vai aumentar? O custo do frete grátis aumenta sempre que o custo total da entrega cresce. Ou seja, mesmo uma mudança pequena gera impactos, ainda que mínimos, nas contas do lojista.

Frete vai ficar mais caro para os clientes? Essa é uma decisão exclusiva dos lojistas, que podem escolher entre arcar com os custos da entrega ou repassá-los ao consumidor.

Enviar (e comprar) vai ficar mais caro fora dos grandes centros? A média de 8%, dentro dos padrões recentes de aumento nos contratos dos Correios, vale para “capitais e âmbitos local e estadual”. Entregas para lugares de fora dessas áreas, segundo o E-Commerce Brasil apurou, vão sofrer aumentos maiores que podem chegar ao teto de 51%, dependendo da rota.
Quem envia itens com muita frequência para o interior do Brasil deve ter mais dores de cabeça.

Mais de 110 mil famílias serão afetadas? De acordo com o comunicado do Mercado Livre, esse é o número de pessoas cuja renda principal provém da venda na plataforma argentina e que seria afetado pelos novos preços. É verdade que todos os varejistas serão impactados por algum tipo de aumento, mas não é possível saber com precisão quantos deles ficarão dentro da média de 8% e quantos serão enquadrados nas outras faixas e rotas.

Correios vão cobrar a mais para entregar no Rio de Janeiro? Por período indeterminado, mas, segundo os Correios, temporário, as entregas direcionadas à capital fluminense terão uma taxa adicional de R$ 3. “Vale esclarecer que essa cobrança já é praticada por outras transportadoras brasileiras desde março de 2017”, justificou a estatal.



Quarta, Fevereiro 28, 2018





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